Horta Jardim Plantas

Uma família excepcional

As favas já acabaram, hoje vamos comer as últimas colheitas. No lugar delas, já semeámos novas regalias: endro (para os pepinos fermentados, batata e saladas), rúcula, physalis (já é um bocado tarde para a semear, vamos ver se consegue brotar), monarda e cenoura.

Preparando o lugar para as novas sementeiras e tirando as favas velhas, reparei numa curiosidade que quero partilhar convosco. Sabemos que as plantas da família Fabaceae enriquecem o solo graças à simbiose (colaboração de dois organismos onde os dois tiram benefícios dessa união) com as bactérias que fixam o nitrogénio na terra. Está bem, mas como? Será que podemos ver de mais perto como o fazem?

Hoje fui espreitar debaixo da saia das favas e descobri os pequenos nódulos onde está o mistério todo:

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É nestas pequenas bolinhas que vivem as bactérias responsáveis pelo sucesso da família de Fabaceae.

Mas comecemos de princípio. O que é que é exactamente a famosa família das leguminosas? Que plantas pertencem a ela?

As leguminosas são um dos grupos mais numerosos das plantas . Se quiséssemos criar um jardim completo só com uma família botânica tínhamos de escolher as Fabaceae:

Ervilhas de cheiro em flor. É uma pena que não vos posso passar o perfume...

Ervilhas de cheiro em flor. É uma pena que não vos posso passar o perfume…

* árvores – podíamos escolher, por exemplo, entre alfarroba, jacarandá, Robinia pseudoacacia, etc.

Cytisus

Cytisus

* arbustos – aqui também temos vários representantes: Coronilla valentina ou Cytisus, entre outros;

* trepadeiras – um exemplo: wisteria;

* na horta, além das favas, podemos plantar feijão, amendoim, ervilhas, grão, tremoços, etc;

O nosso experimental amendoim comprado nos Dias de Jardins d'Albertas. Até agora aguentou :)

O nosso experimental amendoim comprado nos Dias de Jardins d’Albertas. Até agora aguentou 🙂

* como plantas ornamentais usaríamos ervilhas de cheiro, lupinus, etc.;

* em vez da relva podíamos plantar trevos que não se importam de ser pisados.

São só alguns exemplos desta família de plantas que conta 19 400 espécies. Imaginam um jardim desses?

A maioria dessas plantas vive em simbiose com bactérias, que, em troca de comida produzida pelas plantas (hidratos de carbono), lhes proporcionam o precioso nitrogénio captando-o da atmosfera. Benefícios para os dois lados e não só, porque o nitrogénio fixado na terra por essas bactérias serve também às plantas que plantamos depois das Fabaceae, por isso as leguminosas são comummente utilizadas como adubos verdes (lupinus, facelia, etc.).

 Mas vejamos como funciona o mecanismo dessa colaboração:

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As favas, ou outras plantas da família, quando começam a desenvolver o sistema das raízes, enviam um sinal químico para o solo que é dirigido às bactérias (neste caso Rihzobium). Se estas estiverem por perto e receberem a mensagem, respondem da mesma maneira: enviando um sinal químico dirigido às raízes das favas que começam a produzir os nódulos. Quando a comunicação for bem estabelecida (as raízes decidem que tipo das bactérias convidar) começa o processo de infecção: os micro-organismos colonizam os nódulos e os dois lados podem tirar benefícios dessa colaboração. Pensa-se que esta simbiose é a chave do grande sucesso desta família botânica da qual nós também podemos tirar muitos proveitos.


Fonte da imagem de destaque: wikipedia.

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