Pragas e doenças

A lagarta do pinheiro (a processionária)

lagarta do pinheiro ou processionária

A primavera está a chegar e com ela todos os prazeres da época mais esperada do ano: as folhas frescas, mais sol, botões e flores… Finalmente, podemos realizar os nossos planos de inverno e começar a trabalhar no jardim.

Se quiserem ver como é a primavera no nosso jardim e nos arredores, visitem o Instagram do Jardim Viajante 🙂

Infelizmente, o fim do inverno significa também o começo da altura das processões da lagarta do pinheiro – chamada também de processionária.

Esta lagarta é a larva duma borboleta nocturna Thaumetopoea pityocampa. Aqui podem ver como é a borboleta. A forma adulta vive só um dia, as fêmeas põem até 320 ovos.

As processionárias

As lagartas do pinheiro – cada uma pode ter até um milhão de pelinhos tóxicos

 

As borboletas escolhem os pinheiros larícios, Pinus radiata, pinheiros bravos, pinheiros nórdicos, pinheiros-de-alepo e, as vezes também, os cedros. No início, os ‘ninhos’ são difíceis de reparar. Depois da eclusão (depois de 5-6 semanas) as larvas crescem e ‘cosem’ um casulo maior que lhes serve de abrigo durante o dia. Durante a noite, as lagartas saem para comer e para reparar o ninho. E é nesse momento que podemos observar os ‘comboios’ formados pelas procesárias nos ramos das árvores. Nas primeiras fases ainda não são perigosas, mas ao longo do outono ganham cada vez mais pelinhos tóxicos.

Ninho de lagartas de pnheiro

O ninho definitivo das lagartas do pinheiro, na maioria das vezes, esta situado do lado sul da árvore para beneficiar do calor do sol no inverno.

 

Na última fase, as lagartas constroem um ninho invernal que lhes serve de abrigo diurno até a época da descida na primavera. Quando chega o momento, as processárias formam uma fila guiada por uma fêmea e descem das árvores para se enterrar uns 5-20 cm debaixo da terra num sitio exposto ao sol. Ali, em forma de pupas, passam entre dois e quatro anos, até sair e se convertir em borboletas.

Ciclo de vida lagarta do pinheiro

Ciclo de vida da borboleta Thaumetopoea pityocampa (fonte)

 

As lagartas do pinheiro – um perigo para o homem e os animais

As processionárias desenvolveram uma forma muito eficaz para se defender dos predadores. Na fase da migração, o corpo (as ‘costas’) de cada lagarta é coberto com pelinhos muito fininhos que se propagam muito facilmente, mesmo só com o vento. Por isso é preciso ter muito cuidado para não expor a pele, nem olhos nem as vias respiratórias perto dos ninhos e das lagartas em processão.

Ontem à noite, um dos nossos cãezinhos tocou numa dessas lagartas, vejam o efeito:

Reacção ao contacto com a lagarta processionária

A língua de cão afectada pela toxina presente nos pelos da lagarta do pinheiro

 

A Lili começou logo a babar, a língua inchou, a boca ficou sensível. Felizmente, conseguimos ver os sintomas a tempo e levámo-la logo ao veterinário; a reacção não progrediu muito. Na Internet podem ver fotos de cães com metade da língua queimada pela toxina. Infelizmente, nos casos tão graves a língua deve ser amputada (as partes mortas).

Por isso, quando observarem que o vosso animal tem um comportamento estranho, baba muito, tem a boca inchada, não hesitem e levem-no rapidamente ao veterinário. Para aliviar o sofrimento do animal, podemos lava-lhe abundantemente a boca, mas sem deixar o bichinho engolir o líquido. O veterinário administrará o tratamento apropriado segundo o estado do animal (anti-inflamatórios, histamínicos, antibióticos ou amputação das partes com necrose).

As lagartas são também perigosas para o homem: se os pelinhos entrarem nas nossas vias respiratórias, nos olhos ou tocarem na pele, podem provocar reacções muito graves, queimaduras, e, nos casos mais graves, até a morte.

Ontem, na clínica encontrámos uma senhora que tinha passeado o cão dela num pinhal, o vento forte levou os pelinhos para a cara e o pescoço dela provocando queimaduras. Por isso, façam muita atenção!

Como lutar com as lagartas do pinheiro

O melhor é sempre prevenir e plantar nos jardins árvores de diferentes tipos e evitar monoculturas de pinheiros, isto dificultará a propagação da borboleta e facilitará a eliminação das colónias, se estas aparecerem.

No outono, durante o dia (quando as larvas estão nos ninhos), podemos cortar os ramos afectados e queima-los (sempre com muito cuidado e com roupa apropriada, luvas, óculos e uma máscara!).

Existem também vários tipos de armadilhas: umas ‘recolhem’ as lagartas num saco ou numa fita com cola forte quando estas descem das árvores, outras contêm feromonas que atraem os machos na fase da reprodução.

Todos esses métodos aplicam-se em épocas diferentes e tem por objectivo capturar os insectos em diferentes estados de desenvolvimento.

 

Predadores naturais da lagarta do pinheiro

Infelizmente, o sistema de defesa das processárias é muito eficaz e existem poucos predadores que as comem. Os pássaros evitam-nas por causa dos pelos e do sabor pouco agradável.

As larvas podem ser parasitadas por algumas vespas e fungos.

Na fase de pupas (debaixo da terra), podem ser comidas pelas larvas dos insectos do género Calosoma.

E para acabar com um acento mais agradável, deixo-vos com uma imagem primaveral 😉

ninhopassaros

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